quinta-feira, 26 de junho de 2008

Ventos a favor dos grupos teatrais do Estado
26/06/2008 - Tribuna do Norte Michelle Ferret - Repórter

“A Mar Aberto”, uma peça inspirada na obra de Guimarães Rosa em viagem para Garanhuns

Levar a produção teatral além dos limites do território potiguar está sendo uma tarefa menos árdua do que há alguns anos atrás. Caravanas e festivais têm sido oportunos para muitos grupos, e o valor agregado é ainda maior, pois dá visibilidade e promove novos encontros e parcerias, o que significa mais trabalho. É nesse barco que estão três grupos potiguares, o Carmim, o Beira e Atores à Deriva, selecionados para o Festival Pernambuco Nação Cultural, que acontecerá entre os dias 2 e 5 de julho em cinco cidades pernambucanas. Os grupos estarão nas cidades de Garanhuns e Pesqueira. A programação do evento foi elaborada pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e inclui shows, atividades e oficinas culturais nas cidades de Taquaritinga do Norte Festa das Dálias), Triunfo (Festa do Estudante), Garanhuns (Festival de Inverno), Gravatá (Festa da Estação), Pesqueira (Festa da Renascença).As três obras teatrais com dramaturgia de Henrique Fontes foram selecionadas, “Pobres de Marré”, “A Mar Aberto” e “O Tempo da Chuva”, essa última em cartaz na sexta, sábado e domingo, desse final de semana, na Casa da Ribeira. “O mais interessante é que enviamos os espetáculos separados para o festival e quando chegou o resultado ficamos surpresos”, contou Quitéria Kelly, atriz de “Pobres de Marré”.
Isso aconteceu, segundo o ator George Holanda através da sintonia entre os grupos. Cansados de esperar por verbas e produtores interessados em seus trabalhos, os três grupos deram início a um processo coletivo. “Fizemos uma reunião para decidir como seria estar em cartaz com as três peças durante os finais de semana. Nessa época de São João o público que gosta de teatro, fica com pouca opção. Então nos unimos para oferecer três peças com uma boa qualidade tanto na essência quanto técnica e nos aventuramos nessa produção coletiva”, contou o ator George Holanda integrante do grupo Beira de Teatro.
Na produção, todos os atores se ajudam e se revezam entre a montagem dos cenários, iluminação, preparação de atores e tudo o que envolve cada espetáculo. “Os três trabalhos trazem linguagens muito próximas, além de ter a dramaturgia de Henrique, temos um modo de fazer teatro parecido. Então nos propomos a ajudar uns aos outros e funcionou. Dividimos todas as funções, inclusive a de ir atrás de apoio para a temporada”, contou George.
Depois de vencerem a barreira dos apoios, não conseguindo um centavo dos órgãos públicos de cultura, os atores levaram o projeto de porta em porta até as empresas e conseguiram apoio de seis. “A gente começa a entender o que é o processo de produção. Somos atores e produtores de nós mesmos. Percebemos o quanto os empresários estão dormentes em relação à cultura. Mas toda essa busca só nos fortalece”,contou Quitéria Kelly.
Em conseqüência desse fortalecimento veio o convite para a participação dos grupos no Festival de Pernambuco. “É um reflexo de nosso amadurecimento. Nós fizemos os projetos e participamos de cada detalhe dessa conquista. É uma escola dentro do projeto. É importante os atores se unirem em busca de seus desejos, não podemos mais esperar”, disse Doc Câmara, ator do espetáculo “A Mar Aberto”.
Na volta da viagem, os atores pensam em inserir os espetáculos em leis de fomento à cultura com o objetivo de levar as obras até cidades do interior do Rio Grande do Norte. “Sentimos uma necessidade forte de circular, levar nosso trabalho fora de Natal. As cidades do interior precisam de um acesso maior à cultura e não esse isolamento”, contou Alex Cordeiro, ator de A Mar Aberto.

Espetáculo “O Tempo da Chuva”Dias 27, 28 e 29 de junhoHora: 20h30 (sexta e sábado) e 18h30 no domingoIngressos: R$ 20 e R$ 10 reais. *Promoção Avestruz: ingressos comprados até sexta-feira (27) na Poty Livros e na Casa da Ribeira custam R$14,00 e R$ 7,00 (estudantes, idosos e assinantes Cabo Telecom).
O Tempo da Chuva

Antes da viagem para Pernambuco, o grupo Beira estará em cartaz com o espetáculo “O Tempo da Chuva” de amanhã até domingo na Casa da Ribeira. Com dramaturgia de Henrique Fontes e direção de Lenilton Teixeira, a peça conta a história de dois peregrinos, chamados Banto ePlínia, que se encontram embaixo de uma árvore pra se abrigar da chuva. Com a espera, chega um terceiro elemento que vai mexer com a imaginação dos personagens e da platéia numa trama de descobertas. Nesse processo, passam pelos dois a solidão, a angústia e o questionamento sobre a existência. O texto foi criado por Henrique Fontes com a participação da atriz Paula Vanina e Rafael Lumar e segundo eles é um processo aberto e coletivo. Além da dramaturgia, a música é assinada por Luiz Gadelha, com arranjos com Valéria Oliveira. O desenho de luz é de Rogério Ferraz e o cenário e figurino criados por João Marcelino.


http://tribunadonorte.com.br/79370.html

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Jornal de Hoje - Natal 25/ 04/ 2008

A Mar Aberto

Escritor potiguar Henrique Fontes discute no teatro questões polêmicas, como o preconceito, a sociedade, a paixão, a religião e o desejo

Sob mistério do mar, envolto as tormentas do desejo e guiado pela correnteza da maré cheia. O diretor teatral e dramaturgo Henrique Fontes escreveu a peça "A Mar Aberto", que está em cartaz na Casa da Ribeira, fica em temporada até o dia 27, às 20h30, na Sala da Cosern. A inspiração para a construção dessa obra foi como o vai e vem das ondas, na simplicidade dos que convivem com a imensidão do mar. O dramaturgo foi passar suas férias na praia de Galinhos, litoral do Rio Grande do Norte, quando perdido em seus pensamento e anseios percebeu a maestria dos pescadores que ali vivem uma coreografia que conduz a luta pela sobrevivência, sob o ritmo do dia-a-dia e produz o espetáculo da vida. Lá, na Praia de Galinhos, numa convivência com os nativos que o autor observou e embalado pelas palavras do livro "Grandes Sertões Veredas" de Guimarães Rosa, que surgiu o desejo de registrar todo aquele turbilhão de idéias e hábitos do homem do mar.A peça foi montada como uma rede de pesca, com o com o recém formado coletivo artístico Atores à Deriva (que surgiu a partir dessa montagem e pretende estimular a troca entre artistas de diversos grupos), conta a a história de um velho lobo do mar, Seu José Hermílio. Homem sábio que há mais de 30 anos tira do mar o sustento e a própria razão de existir. Todos os dias, "que não são santos", ele e seus companheiros de bargaça, tentam a sorte contra a correnteza e possíveis tormentas. Em um desses dias, seu Hermílio se encontrou, em plena pescaria, traído pelo coração. Ele acha que foram as "artimanhas do demo" que trouxeram até ele o sobrinho de Rita, Júlio de Joana, que aos 19 anos abandonou a faculdade para ser pescador. O dia dessa pescaria e de resistência contra esse desejo "vestido de maldade e com feições tão bonitas..." e a luta contra a tormenta interna e externa caracterizam o conflito central dessa história. "Assim como Hermílio nessa peça, em "Grandes Sertões Veredas", o protagonista, Teobaldo, se vê apaixonado por outro homem - "Diadorim" , que ele até o final acredita ser homem e se culpa por isso." Disse Henrique."A mar aberto" provoca um turbilhão de questionamentos contemporâneos que as pessoas carregam dentro de si. Aborda o conflito com o próprio desejo, o preconceito, a religião, os costumes, os sentimentos, a sociedade, a família, as tendências, os segredos, a culpa e envolve os pensamentos, numa tentativa de mostrar um caminho para a almejada liberdade. É, certo que são muitos aqueles que vivem numa procura incessante atrás do sentir-se livre, outros chegam a culpar os que convivem com eles, Mas, será que na realidade, a liberdade não estaria dentro de cada um? Afinal, o desejo não escolhe a hora nem o lugar.O elenco é formado pelos atores: Alex Cordeiro, Bruno Coringa, Doc Câmara, João Victor e Paulo Lima. O texto e a direção são de Henrique Fontes, a preparação e direção musical de Danúbio Gomes, o cenário e figurinos de Thiago Vieira, a iluminação de Daniel Rocha, Arte gráfica de Gabriel Souto, fotos de Max Pereira e Produção de Suellen Cunha e Henrique Fontes.

Jornal de Hoje - Natal 24/ 06/ 2008

Teatro potiguar participa de Festival em Pernambuco

Três espetáculos na área de artes cênicas foram selecionados para participar do Festival Nação Cultural
Três espetáculos locais foram selecionados pelo edital da Fundação do Patrimônio Artístico e Histórico de Pernambuco (Fundarpe) para participar do Festival Pernambuco Nação Cultural. O projeto é viabilizado pelo Governo de Pernambuco com o objetivo de reunir sob a mesma alcunha diversos eventos culturais tradicionais do Estado, como o Festival de Inverno de Garanhuns, a Festa da Renascença, a Festa da Dália, entre outros.Para compor a programação, a Fundarpe abriu um edital para envio de projetos de todo o Brasil nas áreas de artes cênicas (teatro, dança, circo e ópera), artes gráficas, artes plásticas, artesanato, audiovisual, cultura popular, fotografia, literatura e música.Do Rio Grande do Norte, foram selecionados na área de artes cênicas os espetáculos Pobres de Marré, do grupo Carmin, O Tempo da Chuva, do Grupo Beira de Teatro e A Mar Aberto, do coletivo Atores à Deriva."Para nós foi uma surpresa tremenda, principalmente se considerarmos o quão raro é isso: três grupos potiguares, cada um com linguagens distintas, sendo selecionados de uma vez", aponta Henrique Fontes, autor das três peças e ator do Grupo Beira de Teatro. É, sem dúvida, uma vitória e uma grande oportunidade que irá fortalecer os três grupos", completa.As peças O Tempo da Chuva e A Mar Aberto serão incluídas na programação do Festival de Inverno de Garanhuns, que será realizado entre os dias 17 e 16 de julho próximo. Já Pobres de Marré vai ao Festival da Renascença, realizado no município de Pesqueira, entre os dias 7 e 14 de agosto.As três peças selecionadas estão sendo apresentadas em Natal, na Casa da Ribeira, dentro do projeto 3 X Teatro, criado em conjunto pelos Grupos Beira de Teatro, Carmin e pelo coletivo Atores À Deriva.
Repórter: Redação

quinta-feira, 19 de junho de 2008

3XTEATRO em Garanhuns e Pesqueira/PE!!!

O Tempo da Chuva - foto: Pablo Pinheiro

A Mar Aberto - foto: Max Pereira

Pobres de Marré


As 3 peças do 3 x teatro Selecionadas para o
Festival Pernambuco Nação Cultural

O Teatro Potiguar pode ficar três vezes orgulhoso. Os Grupos Beira, Carmin e Coletivo Atores à Deriva, mais ainda. Os três grupos, que compõem o projeto 3 x Teatro, tiveram suas peças selecionadas para o 18o Festival de Inverno de Garanhuns e Festa da Renascença, ambas dentro do Festival Pernambuco Nação Cultural. O resultado sai oficialmente nesta sexta-feira 20 de Junho no site da Fundarpe.

“O Tempo da Chuva”, “Pobres de Marré” e “A Mar Aberto” foram escolhidas entre dezenas de peças inscritas na Fundação de Cultura de Pernambuco e serão apresentadas em Julho e Agosto nas cidades de Garanhuns e Pesqueira, dentro do Mega Festival que engloba 5 cidades.

“Cada grupo inscreveu o seu projeto e ficou na torcida de que pelo menos uma peça fosse selecionada. Quando eu recebi a ligação hoje dizendo que as três haviam sido selecionadas, quase cai pra trás.” Disse Henrique Fontes, Dramaturgo, ator e diretor que assina os três textos.

A vitória, segundo Henrique, não é apenas desses grupos, mas é da nova cena teatral da cidade. Henrique torce para que assim como esses artistas que se juntaram para produzir juntos o projeto 3 x teatro, outros grupos se reúnam para fortalecer ainda mais a cena Potiguar.

Quem ainda não viu, tem a chance de neste final de semana assistir uma das três vencedoras: a tragicomédia Pobres de Marré, texto estreado em 2007 pelo Grupo Carmin de Teatro e que conta a história de duas moradoras de rua, Maria e Dasdô, que após encontrar um emprego no jornal, esperam a chegada do dinheiro.

No próximo final de semana, encerrando o projeto 3 x Teatro será apresentada O Tempo da Chuva. Dirigida por Lenilton Teixeira, a peça conta a história de dois peregrinos, Banto e Plínia, que se encontram embaixo de uma árvore para se abrigar de uma tempestade. Esse encontro torna-se um verdadeiro jogo de algoz e vítima assim que um caixão é trazido pela chuva.

Os Grupos Beira, Carmin e Coletivo Atores à Deriva Agradecem o apoio Cultural da Cabo Telecom, Offset Gráfica, Traumacenter, Belle de Jour e Poty Livros e lembra que a peça Pobres de Marré acontece apenas este final de semana, dias 20, 21 e 22/06 na Casa da Ribeira. Horários: Sexta, Sábado às 20h30 e Domingo às 18h30. Ingressos na Poty Livros até às 18h desta Sexta custam R$ 14,00 (inteira) e R$ 7,00 (estudantes e assinantes da Cabo). Na hora R$ 20,00 (inteira).

http://tribunadonorte.com.br/78837.html

http://www.dnonline.com.br/parceiros.php?url=http://diariodenatal.dnonline.com.br/site/secoes.php?idsec=6

http://www.potiguarnoticias.com.br/2008/index.php?pgsc=noticia&idsc=3&nsc=noticia&iditemsc=775

3 X TEATRO

Neste final de semana, dias 20, 21 e 22 de Junho, o projeto 3XTEATRO apresenta o espetáculo:

POBRES DE MARRÉ

Do grupo Carmim

No elenco:

Quitéria Kelly

Titina Medeiros

Direção:

Henrique Fonrtes

Local:

Casa da Ribeira
Sexta e sábado às 20:30h, Domingo às 18:30h

Informações:
3211 - 7710

Não Percam!!!!

A Tripulação

Foto: Max Pereira
Da esquerda para direita:

Capitão José Hermílio - Doc Câmara

Júlio de Joana - João Victor

Mizaéu - Paulo Lima

Aurelino - Bruno Coringa

Batista - Alex Cordeiro

Direção e Dramaturgia - Henrique Fontes

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Amor ao Mar


Por Michelle Ferret - Repórter.

http://tribunadonorte.com.br/noticia.php?id=72983


Foi nos braços da obra-prima de Guimarães Rosa que o ator, diretor teatral e dramaturgo Henrique Fontes abrigou seu texto teatral “A Mar Aberto”, que será encenado a partir de amanhã na Casa da Ribeira, pontualmente às 20h30. Este é o terceiro texto do autor, que escreveu também “Pobres de Marré” e “O Tempo da Chuva”. A história de “Mar Aberto” foi construída como uma rede de pescar, quando Henrique passou férias na praia de Galos, litoral norte do RN, e começou a perceber o movimento dos pescadores indo e vindo do mar. “Convivi uns dias com eles, observando os hábitos, a simplicidade e também os desejos dos homens do mar”, conta Henrique.O desejo se entrelaçou com a leitura que estava fazendo no momento da obra “Grande Sertão: Veredas” e durante três dias Henrique conseguiu tecer a história que será encenada pelo coletivo “Atores à deriva”, formado por um grupo de atores agregados de outros grupos teatrais da cidade. Estão no elenco Alex Cordeiro, Bruno Coringa, Doc Câmara, João Victor e Paulo Lima, oriundos de grupos como ‘Beira de Teatro’, ‘Facetas, Mutretas e outras histórias’, ‘Brincarte’ e do projeto artístico pedagógico ‘Pau e Lata’.Juntos eles contam a história de um velho lobo do mar de nome José Hermílio. Aos 30 anos, o jovem pescador José tira do mar o sustento e a própria razão de existir. Nesse ir e vir, o pescador se encontra traído pelo coração, quando se apaixona por Júlio de Joana, outro pescador ainda mais jovem, de 19 anos. “O personagem entra num conflito existencial e acredita ser essa paixão uma artimanha do demônio contra ele”, explica o dramaturgo. Júlio na verdade é um rapaz que abandona a faculdade na cidade para se tornar pescador e, nessa transição, encontra José. O conflito do desejo proibido é o tema central da peça, quando a pescaria se transforma num lugar de resistência aos desejos mais íntimos e a luta da tormenta interna e externa. Nesse mar de sentimentos, o preconceito, a paixão, a religião, a culpa saltam das encenações e ganham o imaginário dos personagens. “Toda a história foi escrita por mim, mas as atuações partiram do coletivo”. O processo da construção da obra durou três meses, numa rotina intensa de ensaios, regada a pouco patrocínio, segundo conta o diretor, “misturada à vontade de fazer teatro”. Henrique conta, porém, que teve apoio de algumas empresas privadas e também da Fundação José Augusto. A ligação da peça com “Grande Sertão: Veredas” é a paixão. “Assim como José Hermílio nessa peça, o protagonista Riobaldo se vê apaixonado por outro homem -“Diadorim”, que ele até o final acredita ser homem e se culpa por isso”, disse Henrique.Além da atuação, um ponto forte na peça é a música. “Convidei Danúbio Gomes e ele preparou e dirigiu todo o espetáculo. Posso dizer que ele é o co-diretor, porque a música está envolvendo toda a história, trazendo um sentido forte para a obra”, disse..

Coletivo à deriva
Depois de dirigir e escrever duas peças “o Tempo da Chuva”, com Paula Vanina e “Pobre de Marré”, com Titina Medeiros e Quitéria Kelly, Henrique Fontes decidiu reunir atores de vários grupos da cidade para a montagem. “A proposta é estimular a troca entre artistas de diversos grupos, criando uma sintonia forte”, disse o diretor.
Atores à Deriva estréiam peça "A Mar Aberto"

Publicado no Dia 18/04/2008. http://www.correiodatarde.com.br/editorias/cultura-29211

Fábio Farias

Nos embalos dos sertões veredas, o mais novo coletivo de teatro de Natal: "Atores à Deriva", estréia nesta sexta às 20h30, na Casa da Ribeira, a peça "A Mar Aberto". Escrito e dirigido pelo dramaturgo Henrique Fontes, a montagem é inspirada no clássico "Grande Sertões Veredas" do escritor Guimarães Rosa e foi o ponta pé inicial do coletivo formado por atores do grupo Beira, Brincarte, Facetas e Mutretas e do grupo musical Pau e Lata.Partindo da vontade de integrar os grupos de teatro, o coletivo "Atores à Deriva" foi formado por Henrique Fontes durante a montagem desta peça. Segundo ele, a idéia é a de integração e intercâmbio entre artistas dos grupos de teatro de Natal. O coletivo é formado por cinco atores, tendo Henrique como diretor e o Danúbio Melo, do grupo Pau e Lata, como diretor musical. Uma das vontades do grupo é construir público para teatro e incentivar a atividade em Natal. "Nosso trabalho vai procurar incentivar o teatro e criar público, pretendemos fazer trabalhos com escolas para isso" disse Henrique.A peça conta a história de José Hermílio pescador com mais de 30 anos de experiência em viver da pesca. Em um dos seus dias de trabalho, José conhece Júlio de Joana, garoto de apenas 19 anos que largou a faculdade para se dedicar à pescaria. José se apaixona por Júlio e acredita que a sua paixão inesperada é fruto das "artimanhas do demônio". A narrativa é construída em cima da tormenta e do paradoxo que José Hermílio vive com essa paixão. A relação entre José Hermílio e Júlio de Joana faz referência aos personagens Riobaldo e Diadorim do clássico Grandes Sertões Veredas. Riobaldo é um jagunço que se apaixona pelo companheiro de trabalho Diadorim, ao longo da história Riobaldo entra em crise existencial por causa da sua paixão, até descobrir que, na verdade, Diadorim era uma mulher.

A montagem da peça durou três meses e os instrumentos utilizados foram elaborados pelos atores. O espetáculo será encenado neste final de semana (hoje e amanhã) e no próximo na Casa da Ribeira sempre às 20h30. Escrito em 1956, Grandes Sertões Veredas é considerado uma das maiores referências em literatura brasileira. Pensado inicialmente como parte da novela "Corpo de Baile", a história ganhou força e acabou se tornando um livro. Com o objetivo de construir uma narrativa sobre elementos universais contextualizados numa realidade regional, o livro se destaca pela sua característica poética de narrar o sertão.Na narrativa, o jagunço Riobaldo conta a sua saga a um ouvinte letrado na luta contra o silente Hermógenes. Para vencer a batalha, Riobaldo faz um pacto com o personagem Que-Diga, que pede em troca da vitória o seu grande amor.

DiretorHenrique Fontes é dramaturgo e como diretor teatral já dirigiu as peças "O Tempo da Chuva" com Paulo Viana e "Pobre de Marré" com Titina Medeiros e Quitéria Kelly. Henrique passou oito anos no grupo "Clows de Sheakspere" e, segundo ele, sua formação teatral acontece há 23 anos. Formado em Comunicação Social, Henrique tem mestrado em Ciências Sociais. Apesar da formação, o diretor não atuou como profissional de comunicação e há mais de 20 anos atua na área teatral da cidade.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Histórico do coletivo

Atores à Deriva

O Coletivo Artístico Atores à Deriva surgiu no final de 2007 com o objetivo prioritário de troca de informações entre artistas de Natal que, ao longo dos últimos 20 anos, vêm desenvolvendo trabalhos nas áreas de teatro e música. Capitaneado por Henrique Fontes (ver currículo), o coletivo inclui 5 atores (Alex Cordeiro, Bruno Coringa, Doc Câmara, João Victor e Paulo Lima) de 2 grupos da cidade (Brincarte, Facetas Mutretas e Outras Histórias), um diretor e dramaturgo ex-integrante do premiado Grupo Clowns de Shakespeare e fundador do Grupo Beira de Teatro e 1 diretor musical (Danúbio Gomes), fundador e mantenedor do Projeto Pau-e-lata que hoje é sediado em Natal mas com ramificações por todo o Brasil e até na África.Esses artistas se uniram por afinidade pessoal e crença na diversidade dos seus potenciais artísticos e decidiram experimentar uma linguagem cênica teatral como forma catalisadora dessa diversidade. O encontro foi uma excelente oportunidade de intercâmbio de conhecimentos e de possibilidades formativas para estes artistas que têm escassas condições de aprendizagem continuada na cidade de Natal, RN.O primeiro resultado artístico, a peça A Mar Aberto surge com uma força para além da cena, do texto e da música mais facilmente absorvidos ao se apreciar o espetáculo. A força desse trabalho reside nas entrelinhas, nos bastidores, na aposta de criação de uma atmosfera que seja a própria alma do fazer artístico e de uma vontade criadora independente de fontes de financiamento ou investimentos públicos. Atores à Deriva faz sua primeira aparição em uma espécie de revolução pessoal e silenciosa. O resultado colhido na primeira temporada foi maior que a expectativa: o despertar da classe teatral e musical para assistir ao espetáculo; um número crescente de público (com necessidade de uma sessão extra no último dia); um crítico que, após anos, foi motivado pelo espetáculo para escrever; além de uma vontade vibrante dos artistas que compõem o Coletivo em continuar a pesquisa e o intercâmbio de saberes. Acreditamos que através desse encontro intencional e à deriva, algo novo/velho (re)nasce.